domingo, 28 de novembro de 2010

Rio de Janeiro - Forças de Estado estouram fortaleza do tráfico

Cerca de 15 policiais do Bope e do Core formaram uma roda em torno de uma superfície em uma das vielas do Areial, considerado o coração do Complexo do Alemão e a fortaleza do tráfico. Ouve-se risos. Água e sanduíche são servidos. Quinze minutos de descanso.

Todas as vielas de um dos maiores complexos de favelas do mundo está vigiada pelas forças conjuntas do Estado. Moradores saem conversam nas calçadas. Não há tiros. Os esforços se concentram em vasculhar.
Os esconderijos do tráfico começam a ser revelados. Uma grande câmera com buracos abertos nas paredes abrigava uma fábrica. Uma prensa usada para fazer tijolos de drogas. Um embalador usado para plastificá-las. Centenas de tubos para armazená-las. Galões de acetona para fabricar loló, bandejas para misturar cocaína. Troféus para celebrar consquistas do crime. "O maior ponto de endolação que eu já vi", afirmou um dos experientes policiais do Core. Tudo abandonado.
Juntamente com um monte de cocaína espalhado em uma mesa de sinuca, pilhas de caixa de fermento em pó. "Isso eles misturam com um pouco de cocaína. Olha o que os usuários cheiram", afirmou o policial.
E não era só, o bunker continha também fuzis e munição. O policial comparava o tamanho das balas usadas por traficantes. "Esta aqui é uma munição de ponto 30. Isso aqui atravessa nossos blindados", contou. Havia também projéteis de 762, para G-3 e AR-15 e munição para M-16. Tudo de uso exclusivo do exército, deixado para trás pelos traficantes.
Ao lado, um desmanche de motos. Paredes quebradas e um forno. A polícia continua a busca. Cada vez mais por dentro das vielas, nas vias de esgoto. Em algum lugar eles devem estar.
Parte da comunidade protesta. "Eu moro aqui porque não posso morar aonde vocês moram! Olha como eles entram nas nossas casas", grita uma moradora para a reportagem do Terra. Outra parte cochicha. "É muito bom o que eles fizeram. Agiram muito bem", disse Sebastiana por entre as fendas do portão de sua casa. Seu filho, de 12 anos também aprova. Eles ficaram em casa durante a invasão. Disseram que ouviram tiros, que estão acostumados, mas que agora isso vai acabar. Como era a vida antes de a polícia chegar? "Meu filho via coisas que criança não devia ver", disse Sebastiana.
Clarissa, 18, sentada em uma das vielas também comemora. Ela acaricia a barriga. Seis meses. Seu primeiro filho deve nascer em uma comunidade pacificada. Moradores retornam com seus filhos, mulheres, mochilas e sacolas. O reduto, a base, a fortaleza da maior facção criminosa do Rio de Janeiro está tomada. Nem sinal dos traficantes.
Luís Bulcão Pinheiro - Terra 

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